Não nos contamos nossos segredos, nos escondemos de nós mesmos. Fingimos ser o que queremos ser, ou o que se deseja querer ser. E por fim, passamos a vida fingindo ser nós mesmos, Fernanda Martinhaki
"Há dias
Perdia as horas
Contando o tempo
Pra viver
Perdeu os dias
Vivendo fora de hora
Esperando a hora certa
Pra nascer
Esqueceu
Que já passou da hora
De viver”
— E com o tempo, esqueceu de viver. Floricultor, Fernanda Martinhaki
"A gente deixa de cuidar
Do que já tem na mão
Esquece de regar
A flor que já nasceu
Achando que vai durar
Só porque já é seu.”
— Floricultor, Fernanda Martinhaki
"Criar estrelas do mar
É o mar pedindo
Para ser noite outra vez”
— Floricultor, Fernanda Martinhaki
"Eu e papel
Como mar e céu
O papel convida minha alma para passear
E o mar, a lua para dançar
Cada qual com sua melodia
Em mim, sou rabisco
No papel sou poesia
Em mim, minha alma fala
No papel, minha alma canta.
No céu a lua é linda
Mas no mar a lua dança.”
— Floricultor, Fernanda Martinhaki
"Há tempos
Perdia o tempo
Num lugar
Quando estava em outro,
Ocupando um mundo
Quando vivia noutro,
Vivia primavera
Quando ainda era outono.”
— Floricultor, Fernanda Martinhaki
"Ninguém soube,
Que mesmo longe
Ele estava perto.
Quando voltou
Ninguém soube,
Que mesmo ali,
Ele estava longe.”
— Floricultor, Fernanda Martinhaki
"Plantou um jardim, fingiu de universo, se fez borboleta, e virou dono no mundo. Fugiu para um lugar de qual ninguém pensa, nunguém entra. Fugiu, para onde não existe tempo, onde o vento não se faz inverno. Onde tudo existe em conjunto, e nada existe ao certo. Onde não existe manifesto da mente, apenas sua melodia pura e líquida. Onde é barulho e silêncio. Fugiu para onde ninguém sabe, ninguém cabe. Jogou feijões mágicos no fundo da alma, que como algodão ,brotou sonhos, que com galhos dançando ao som de Bensé preencheram seu imenso universo, do tamanho do sorriso de uma criança. Não se considera fugitivo para outro mundo, ele é outro mundo, e sabe disso. Para todos, morava em um hospício. Para ele, morava no infinito. Ele não os culpava por não saberem, não sentirem, não serem. Por não possuirem coragem de trocar suas incansáveis certezas por sonhos mágicos. Nem todo mundo é feito de algodão.”
Fernanda Martinhaki
"Na minha casa,
Não há lar.
No meu guarda-roupa,
Na minha barriga vazia e meu coração cheio,
Na minha ausência de respiração,
Em todas as minhas ausências
Inócuas,
Com eufemismos
Porque inóspito é muito lânguido.
Na minha mente destituída
Repleta de ecos
E coisas que faltam
Em mim.
Não há.
Onde nunca morei
Mas nunca saí
Nunca deixei
Nunca ocupei.
Um lar vazio,
Abarrotado de coisas enormes
Que faltam
Que espalham a exiguidade
Em espaços enormes
Ecoando silêncios enormes
E mesmo assim
Não há nada
Nem espaço
Nem lar.”
— Fernanda Martinhaki
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